29 de jan de 2014

27º e 28º DIA

Saímos de Uruguaiana por volta das 10:00 hrs tentei achar na cidade alguma oficina que trocasse a relação da minha moto, pois já estava com 44.600 originais e merecia uma nova, sua regulagem chegou ao fim, fiquei com medo de não chegar em casa, faltava ainda 1100 km.

 Meu parceiro ficou procurando na internet, achou a relação cerca de 380 km mais adiante na cidade de Ijuí, tocamos até esta cidade sobre um forte calor, trocamos as peças da motoca e seguimos até Passo Fundo, chegando no final do dia, nos hospedamos perto do centro da cidade e comemos o verdadeiro churrasco gaúcho, pensa em uma noite mal dormida, mas bahhhhh!!!!rodamos 566 km neste dia.

Último dia da viagem, nos resta cerca de mais 550 km, passando por Lagoa vermelha e saindo em Vacaria, mas eu já não suporto mais este trajeto, é muito repetitivo, toda viagem é caminho de volta, então resolvemos mudar um pouco o trajeto, encurtar distância e ver algo diferente, saímos de Passo Fundo com destino a Erechim, após o pedágio entramos a direita e seguimos até Barracão, fronteira com o nosso estado Santa Catarina, este trajeto é muito lindo, plantações de soja ao longo de toda a rodovia, cidades pequena e muito simpáticas são cortadas por este trajeto, sempre a uma altitude superior a 700 metros, resumindo valeu a troca de percurso em última hora, não pegamos calor e a serra é linda. De Barracão seguimos para Campos Novos passamos pela fronteira dos dois estados e já estávamos mais perto de casa, seguimos pela BR 470 fazendo uma última parada em Apiuna para tomar um caldo de cana geladinho, nos despedimos ali mesmo, com aquele abraço forte com o sentimento de dever cumprido, já estávamos tão perto de cumprir o último objetivo da viagem, chegar em casa inteiros, tanto planejamento, tudo ocorreu de forma perfeita, continuamos tocando as motocas juntos lados a lado até a entrada da minha cidade, restando apenas aquele buzinaço de fim de jornada.



Gratidão é uma sensação tão agradável…Cresce onde sementinhas são lançadas, floresce sob o Sol. De um coração caloroso e bom, cresce mais quando é cuidado.Quase todos temos motivos para a gratidão, quando pessoas em nossas vidas têm tempo para partilhar e nos fazer saber por bons atos que nós estamos em seus pensamentos e que elas se importam. As coisas que você faz, com tanta compreensão e bondade, me enchem de gratidão por ter a sua amizade. Obrigado amigo Selvino, pelo convívio nesses vinte e oito dias, sou eternamente grato a você.


TOTAL PERCORRIDO NA VIAGEM 11.294 KM 


 PLANTAÇÃO DE SOJA















 PONTE: DIVISA DE ESTADO, SANTA CATARINA, RIO GRANDE DO SUL









CAMINHÃO VIRADO AO CHEGAR PERTO DE CASA, DURANTE TODA VIAGEM NÃO FOI AVISTADO NENHUM ACIDENTE.


 DESPEDINDO DO PARCEIRO...TREVO DE INDAIAL




SELVINO E FAMÍLIA, INAUGURANDO AS TOCAS DO PERU.

25º DIA e 26º DIA.

Terminamos nossa trip e a gora é partir para cumprir o último objetivo da viagem, chegar em casa, um longo caminho ainda nos resta para esta volta, são mais de 2600 km até nosso último destino, o LAR.

Saímos por volta das 9:00 hrs, abastecemos as motocas, gastamos quase nossos últimos pesos Argentinos, tentamos trocar dinheiro em uma única casa de cambio, onde também funciona um quiosco, mas por ser domingo estava fechada e o proprietário não se encontrava no local.

Pegamos a estrada assim mesmo, tanque e reservatórios cheios partimos rumo  a CORDOBA distante a mais ou menis uns 700 km desde Fiambala. No caminho agora passamos por várias cidades pequenas, a primeira delas Tinogasta 70 km a frente, ali paramos tentamos trocar dinheiro, mas foi em vão, recalibramos os pneus da motoca e seguimos adiante, particularmente não gosto de adentrar em um país sem moeda local, devido a passagem se dar por várias cidades pequenas, o uso de cartão nem sempre são aceitos em estabelecimentos comercias e postos de combustíveis, mas como não havia outro jeito seguimos em frente, passamos por várias cidades e nem sinal de caixa eletrônico e posto de combustível que aceitassem cartão, com nosso último trocado conseguimos comprar somente água.

Rodamos cerca de 450 km e o a moto do parceiro Selvino apagou, a gasolina já era, colocamos os 10 litros de reserva que estavam nos galões nas duas motos e seguimos adiante em uma velocidade mais moderada para economizar combustível. Chegamos a uma cidade na província de Cordoba, onde conseguimos sacar dinheiro local, ali abastecemos, fizemos um lanche e como era somente 18:00 resolvemos seguir mais adiante, nosso intuito era de fazer cerca de 700 km neste dia, para que no dia seguinte completando mais 700 km já estaríamos no Brasil.

Chegamos ao anoitecer na cidade de Monte Cristo, cidade a beira da ruta 19, já saída da movimentada província de Cordoba, ficamos em um único hotel da cidade, muito caro, mas não nos restava mais alternativas ficamos por ali mesmo.Rodamos 726 km neste dia.

No dia seguinte antes de sair demos uma parada em um lubricentro, meu parceiro trocou um fusível queimado e completou o óleo da moto, seguimos a ruta 19 passando por San Francisco e em pouco tempo já estávamos em Santa Fé. Neste caminho avistamos muitas plantações, milho, soja, trigo, é uma área de intenso cultivo, terra produtiva.

De Santa Fé rumamos até a cidade de Parana passando pelo túnel que corta o rio Parana, este túnel é uma verdadeira obra da engenharia moderna. De Parana seguimos para Federal, onde fizemos nossa última parada para abastecer a moto e fazer um lanche, gastar o resto do dinheiro que sacamos no dia anterior, pois cerca de 240 km adiante já estamos em solo Brasileiro.

Entramos no brasil às 22:30 nos hospedamos no River hotel, pedimos uma pizza, aproveitamos a piscina mesmo tarde da noite, pois o calor era muito intenso, e fomos dormir já na madrugada....rodamos 793 km neste dia.




 Entrando no túnel Santa Fé para Parana.


 DENTRO DO TÚNEL


 SAINDO DO TÚNEL













26 de jan de 2014

24º DIA

Chegamos a mais um dia tão esperado, relatos desta fronteira tenho ouvido a muitos anos, dificuldades, belezas naturais deste montanhas e vulcões e distância a ser percorrida sem abastecimento são fatores a serem vencidas nesta travessia andina, isto nunca esquecendo da altitude que novamente vamos enfrentar.

Como de costume nunca conseguimos sair cedo, devido ao café ser servido tardio, ou você sacrifica o café e sai mais cedo ou o jeito é sair  sempre após as 8:00 hrs.

Saímos de Copiapó  com destino a fronteira tomando a ruta 31 e em  9 km da cidade já avistamos a placa avisando que o próximo posto de abastecimento será somente a 470 km a frente, somente em Fiambala na Argentina, abastecemos o tanque da moto e os galões de reserva, seguimos estrada a dentro apreensivos e ansiosos na espera do que poderá vir adiante.

No início um calor nos acompanha , estamos a poucos metros acima do nível do mar, a estrada segue por mais 10 km asfaltada, logo entramos em uma estrada de chão e seguimos por ela por longos 112 km, esta estrada esta em ótimas condições, por ser uma estrada de mineração esta bem compactada, andamos em um rítimo de 80 km/h, sempre subindo bem lentamente, muito diferente do paso Águas Negras que de entrada se tem uma pancada de subida de 4.000 metros em 120 km.

Andamos cerca de 156 km e já estávamos a 2.800 metros de altitude, paramos para nos agasalhar, o frio já era presente neste momento, rodamos por mais uma dezena de quilômetros e fizemos outra parada, mas agora era par aliviar a pressão dos pneus, visto que na altitude a pressão aumenta, também para uma melhor aderência em estrada de chão é melhor estar com os pneus com uma pressão mais baixa, aproveitamos para reabastecer as motocas com os galões reservas.

A estrade estava em manutenção, ficamos apreensivos, mas adiante vimos que estava em ótimas condições, nosso receio era de encontrar bancos de areia, isto para uma moto pesada é terrível.

Não faltou muito e os primeiros picos nevados já apontavam a nossa frente, indícios que a aduana Chilena estava próxima, também avistamos um pequeno salar.

Exatamente às 14:15 da tarde chegamos a aduana, fizemos nossa saída do Chile, a entrada na Argentina  seria a mais de 200 km a frente, éramos indigentes neste trajeto, este trajeto está repletos de vulcões uma atração a parte, se confundem com picos eternamente nevados desta região.Ali encontramos o maior vulcão do mundo o OJO DEL SALADO  com 6893 metros, andamos por hora avistando o gigante adormecido.

Faltando um pouco mais de 10 km para alcançar o pico da cordilheira avistamos um lago, chamado de Laguna Verde, que, apesar do nome é de um reluzente azul cristalino, mais parecia com uma miragem em meio ao deserto, nem parecia ser real tamanha beleza em um lugar tão inóspito como aquele.

Sessões de fotos de todos os ângulos tiramos neste lago, subimos na motoca com um sorriso que chegava de orelha a orelha, tamanha era a felicidade de chegar até ali.

Pilotamos por mais alguns quilômetros e avistamos uma base militar, pequena, devem fazer a proteção deste lago e da fronteira que se encontra a poucas dezenas de quilômetros mais adiante.

Chegando ao topo a exatos 4781 metros de altitude, uma placa de limite internacional se avista, também à um refúgio ou abrigo, salvo que este também é um reduto de alpinistas e mochileiros, todos em busca de emoção em escaladas e caminhadas. Da fronteira de agora em diante é tudo asfaltado, já estamos em território Argentino, mas ainda sem documentação de entrada neste país, a aduana segue descendo por mais uns 70 km.

Na descida a paisagem muda, campos verdes com uma vegetação rasteira de coloração amarelada nos acompanha ao longo da estrada, lhamas, alpacas e vicunhas também são avistadas, mini lagos  e o vulcão SAN FRANCISCO  avistamos agora do outro lado, então é possível imaginar o tamanho deste cara.
Chegamos na aduana Argentina e estávamos a uma altura ainda de 4.000 metros, fizemos a entrada neste país e seguimos para Fiambala, 2.000 metros mais abaixo, sempre fazendo paradas para se aclimatar e tirar fotos, este lugar é de uma beleza estonteante, elegemos este paso como a mais linda travessia de todas as cincos vezes em que fizemos as cordilheiras nesta viagem.

Perto de Fiambala temos mais uma surpresa, é impressionante como as formações rochosas mudam de coloração, a cada curva avistamos montanhas diferentes, partem de um cinza escuro para tons de vermelhos barroco,tons de areia e mesclas de cinzas, incrível, é muito lindo este trajeto todo, sempre margeando um leito de rio seco, passando por paredões com uma estrada sinuosa e estreita.

Quando avistamos uma pequena canalização em forma de vala feita de pedras vindo das montanhas, imaginamos estar perto de Fiambala, nosso GPS confirma faltam apenas 11 km, mas, onde está esta cidade? O que avistamos era tão somente um pequeno seixo de árvores la ao fundo do vale, faltando apenas 11 km, nos perguntamos será esta a cidade de Fiambala?

Por incrível que pareça era sim, estes últimos 11 km foram de pura descida em linha reta, conforme descíamos, entrávamos cada vez mais na vegetação e a cidade de Fiambala se desvenda em meio a aquela vegetação em que avistamos do alto das montanhas, as motocas chegaram na reserva, o posto de gasolina já estava fechado, nos hospedamos em um pequeno hotel, não espere muito desta pequena cidade, é muito pequena, fica em um vale no fundo do fundo de tudo, a impressão que se tem é que se chover inundará tudo, pois as águas das montanhas descem todas para este vale.
  
Saímos para jantar, comemos um bife de chorizo com macarrão, voltamos para o hotel, nosso dia hoje foi cansativo,merecemos o descanso, nos despedimos da altitude nesta viagem atravessando este paso, foram no total cerca de 13 dias sempre acima de 3.800 metros, o corpo age de forma muito estranha para quem não é aclimatado.




ESTE É O OJO DEL SALADO O MAIOR VULCÃO DO MUNDO 6.893 METROS



O VULCÃO SAN FRANCISCO


LAGUNA VERDE





IMPRESSIONANTE É A COR DA ÁGUA













ETERNOS PICOS NEVADOS


NOSSO DESTINO PARA O DIA SEGUINTE, CORDOBA.


DO LADO ARGENTINO ASFALTO.



ALTIMETRIA DO TOPO 4781 METROS


LINDAS PAISAGENS DO LADO ARGENTINO




PARECE CARTÃO POSTAL



VULCÃO...




DESPEDINDO DOS PICOS NEVADOS


MÍSTICA COLORAÇÃO DAS MONTANHAS




FORMAÇÃO ROCHOSA DE TOM AVERMELHADO


SEMPRE DESCENDO LENTAMENTE








A CADA CURVA MUDA DE CENÁRIO


TONS DE AREIA....LINDO DEMAIS


PARCEIRÃO SEMPRE VISÍVEL






















ESVAZIANDO OS PNEUS










SAI! MÁQUINA









CHEGANDO NA ADUANA CHILENA









UMA PEQUENA BASE DO EXÉRCITO CHILENO















O PILOTO ABANDONOU A MOTO






DA VONTADE DE ENTRAR NESTA ÁGUA